Hebiatria ou Medicina do Adolescente

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07Hebiatria ou Medicina do Adolescente

É a área da medicina voltada a saúde integral de adolescentes e jovens.

O nome hebiatria é uma  referência à deusa grega da juventude, Hebe: filha de Zeus e Hera e IATRA, do grego – iatrós – médico.

O conceito de adolescência difere nas áreas do conhecimento humano. Para a sociologia a adolescência depende da cultura, para antropologia ela é curta e se restringe a ritos de passagem. Na nossa sociedade atual, principalmente nos centros urbanos, ela se caracteriza por um longo período de aprendizagem.

Para a medicina a adolescência é um período do processo de crescimento e desenvolvimento, caracterizado por grandes transformações biopsicossociais.

A organização mundial da saúde (OMS) considera adolescentes os indivíduos entre 10 anos a 19 anos 11meses e 29 dias (10 aos 20 anos). O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) compreende a adolescência como o período que vai dos 12 aos 18 anos de idade.

****Para você pensar

O que você costuma ouvir sobre adolescentes: coisas boas ou ruins?

Muita coisa foi dita sobre a adolescência e o adolescente, muitas vezes passando a ideia que o conflito era inevitável. Este não é o olhar correto, precisamos entender a sociedade atual e suas exigências sobre os adolescentes, para sabermos como isso os afeta. Atualmente existe uma sofisticação tecnológica do trabalho o que demanda uma formação escolar cada vez mais complexa e prolongada, e o ingresso nas universidades motivo de preocupação desde a infância. É neste cenário que os adolescentes vão passar por transformações físicas e psíquicas. Desta ótica fica mais fácil entender a adolescência na sociedade atual.

Puberdade

A puberdade é o nome que se dá a todas as mudanças biológicas que ocorrem no início da adolescência.

Como surgiu a medicina de adolescentes?

Em 1884 surgiu na Inglaterra a primeira associação médica voltada para os problemas próprios da adolescência a “Medical Officers of Schools Association” com atuação em escolas para rapazes e que enfocava a prevenção de doenças infectocontagiosas, acidentes e melhorias da qualidade do ambiente escolar. A especialidade começou a ganhar corpo na década de 50 nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil surgiu no ano de 1960 e desde o início, ligada à disciplina de pediatria.

 

Por que é necessário haver uma especialidade médica para adolescentes? 

Se, apenas considerarmos o crescimento e desenvolvimento biológico, que ocorrem na adolescência, já se justificaria existir uma especialidade médica para adolescentes. Pois eles são muito peculiares e diferentes da infância e fase adulta. Mas não ocorrem apenas mudanças biológicas, nós somos seres sociais e o ambiente e as relações interpessoais afetam nossa saúde. Principalmente com a família e a escola.

Saúde: estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para a forma particular de vida (raça, gênero, espécie) e para a fase particular de seu ciclo vital.


Como é a consulta com o Hebiatra?

A consulta com o hebiatra segue padrões diferentes, o adolescente é atendido sem a presença dos pais. Na primeira consulta é explicado ao adolescente e aos pais ou responsáveis, que o adolescente poderá ser atendido sozinho, caso ele queira, e que terá direito ao sigilo médico.

A consulta é, portanto, um momento em que o adolescente se sente à vontade para colocar suas dúvidas, abordar questões referentes a drogas, à sexualidade (o primeiro beijo, a primeira relação sexual), preocupações com o corpo, alimentação, exercícios físicos, etc. O exame físico também é realizado sem a presença dos pais, mas se o adolescente preferir eles podem estar presentes. O hebiatra sempre esclarecerá anteriormente quais serão as etapas do exame físico e qual a importância da sua realização.

O ideal é realizar o exame físico com o mínimo de roupa possível, os homens só de cuecas e as mulheres de sutiã e calcinha. As medidas da estatura e do peso devem ser precisas, e realizados em todas as consultas, bem como a aferição da pressão arterial. O exame físico é dividido em duas partes: Geral (coração, pulmão, abdome, membros e coluna vertebral). Avaliação do desenvolvimento sexual secundário, onde serão avaliadas as mamas e pelos pubianos e axilares nas meninas; e os testículos, pênis e pelos pubianos e axilares nos meninos. Isto é importante para avaliar o grau de maturidade sexual e saber se a puberdade está ocorrendo normalmente. Para isto o médico compara o grau de desenvolvimento do adolescente com imagens pré-estabelecidas (Pranchas de Tunner).

A consulta com o hebiatra se baseia em:

Privacidade               Confidencialidade e no sigilo             Princípio da autonomia

E o que isto significa?  – Significa que o adolescente vai ser atendido sozinho, sem a presença obrigatória dos pais, o que ele disser durante a consulta será mantido em sigilo, ou somente contado aos pais com sua prévia permissão. E o mais importante, ele assumirá a responsabilidade por sua saúde.

 

Temas que o hebiatra aborda nas consultas:

1) reforçar mensagens de promoção de saúde;

2) identificar adolescentes e jovens que estejam sujeitos a comportamentos de risco ou que se encontrem em estágios iniciais de distúrbios físicos e/ou emocionais;

3) promover imunização adequada;

4) desenvolver vínculos que favoreçam um diálogo aberto sobre questões de saúde.

 

  • Escolaridade: adaptação, interesse, dificuldades de aprendizado, bullying.
  • Alimentação: horários, hábitos, preocupação com peso.
  • Drogas, tabagismo, lazer, atividades, esporte, noite.
  • Atividade física adequada, horas e qualidade do sono.
  • Sexualidade: métodos anticoncepcionais, masturbação, namoro, doenças sexualmente transmissíveis.
  • Vacinas
  • Violência
  • Piercing, tatuagens etc.


 

Suporte legal para o atendimento dos adolescentes.

…qualquer exigência, como a obrigatoriedade da

presença de um responsável para acompanhamento no serviço de saúde, que possa afastar ou impedir o exercício pleno do adolescente de seu direito fundamental à saúde e à liberdade, constitui lesão ao direito maior de uma vida saudável.

Marco Legal: Saúde, um direito de adolescentes. MS, 2005 (p41)

 

Art. 154 Revelar alguém, sem justa causa, segredo de que tenha ciência, em razão de função, ministério, oficio ou profissão, e cuja

revelação possa produzir dano a outrem.

Pena: detenção de três meses a um ano.

 Código Penal Brasileiro

 

É vedado ao médico:

Art. 74. Revelar sigilo profissional relacionado à paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou representantes legais, desde que o menor tenha capacidade de discernimento, salvo quando a não revelação possa acarretar dano ao paciente.

Código de Ética Médica

 

Orientação sexual na adolescência pode fazer a diferença na vida adulta de mulheres e homens.

As orientações são de acordo com o momento que o adolescente está passando. Por exemplo, para uma menina que está começando a menstruar e que muitas vezes nem beijou ainda, o foco da orientação será sobre higiene íntima e as mudanças que acontecem no corpo, como a secreção vaginal que é mais evidente, as cólicas e o fluxo menstrual. Por outro lado, para uma menina que já iniciou ou que se perceba que já está pensando em iniciar sua vida sexual, é preciso explicar sobre DST (doenças sexualmente transmissíveis), métodos anticoncepcionais e uso de preservativos em toda relação sexual em decorrência de sua função de dupla proteção – Gravidez e DST.

As orientações são sempre de uma forma clara e sem julgamentos, para que o adolescente tenha confiança, primeiro para tirar suas dúvidas e depois para seguir as orientações.

Para os meninos a orientação é feita da mesma forma inclusive, eles também recebem orientações sobre todos os métodos anticoncepcionais. Com ambos é discutido o significado da maternidade e paternidade responsável. Está orientação é feita em várias consultas dada a abrangência e importância do assunto.

O hebiatra também está sempre disponível para conversar com os pais e auxiliar tirando dúvidas e facilitando o diálogo. O ideal é aproveitar situações do dia a dia para introduzir assuntos considerados tabus. Assim, dia após dia os tabus serão quebrados. Os adolescentes não decidem fazer sexo porque se fala de sexo em casa ou na escola. Decidem porque faz parte da vida. Os pais através do diálogo mostram quais são os valores  familiares, e podem explicar porque gostariam que estes valores fossem seguidos. Mas, ao final, caberá ao adolescente a escolha.

 

A orientação sexual fundamenta uma das escolhas mais difíceis que tomamos, quando iniciar a vida sexual. A capacidade de escolher está vinculada a maturidade, a coragem de dizer o que precisa ser dito, de reconhecer o que quer e o que não quer.

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